
Minha percepção ostracista por vezes me trai, prega peças, e digo que nenhum dramaturgo poderia dirigi-la, existem sim coadjuvantes reais que vez ou outra roubam a cena, mas de tanto procurar por luzes, por muitas vezes fiquei atrás das cortinas, e eram cerradas e especas, a onde se via a vida como um filme que passava em ondas sinápticas
Os dias que seguem, eles simplesmente acontecem, mesmo que eu não o veja, suas ranhuras em minha face me dizem que sim.
Se prestarmos atenção demais, os segundos, as horas , elas são apenas a suas esperas, e se esperar é como acontecer, digo que vezes isso não se concretiza, então achamos que perdemos tempo com coisa qualquer.
A menina que atravessa a rua sem olhar, a pessoa que cruzamos aos montes , esbarramos em seus ombros, e depois talvez e quase sempre nunca mais as veja, são metáforas para nossos sonhos diários, que se refletem em alguma noite cenas improváveis, pesadelos desconexos, rostos de areia que se desmancham na cápsula neuronal, assim como tantas idéias que julgamos iconoclastas, de ser algum pichado de monumentos , de tirar os dentes de Tira Dentes.
O tempo parou por algum tempo, mas se parou ,então não se pode contá-lo, e na mescla dessas almas ainda densas achamos que por um momento o retemos, ledo engano! Ele apenas espera a sua espera, e se torna prudente que não percamos nosso sono, nossa deidade interior.
O tempo me tem e eu o tenho.